“Quarentena”, é o nome do último poema escrito por Moraes Moreira

O cantor e compositor baiano Moraes Moreira, dias antes de morrer publicou em sua página no Instagram um cordel  sobre o medo à pandemia de coronavírus e outros problemas que atingem o país, como a violência, o preconceito e o machismo.

Os versos escritos por ele começavam assim: “Eu temo o coronavírus / E zelo por minha vida / Mas tenho medo de tiros / Também de bala perdida”. (Leia o texto na íntegra logo abaixo)

A Covid-19, causada pelo novo coronavírus, não está ligada à morte do autor de Brasil Pandeiro, Lá vem o Brasil descendo a ladeira e tantos outros clássicos da MPB.

Segundo a assessoria de imprensa do cantor, Moreira morreu depois de sofrer um infarto agudo do miocárdio, por volta das 6h desta segunda feira, 13, em sua casa no Rio de Janeiro.

Quarentena (Moraes Moreira)

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo….
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo,nem idade”

Fonte: jornaldebrasilia.com.br

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