‘Não tinha escolha’: pobreza causada por coronavírus aumenta casos de sexo em troca de moradia

Pesquisadores denunciam proprietários de imóveis que pedem sexo em troca de moradia em meio à crise deflagrada pela pandemia de Covid-19.

Um número crescente de proprietários de imóveis está pedindo sexo em troca de um teto aos inquilinos agora que os isolamentos do coronavírus e a perda de empregos estão tornando difícil para muitos pagar o aluguel, dizem especialistas em moradia.

Uma pesquisa da Aliança Nacional pela Moradia Justa (NFHA) com mais de 100 grupos que pleiteiam moradia justa e combatem a discriminação nos Estados Unidos descobriu que 13% deles viram um aumento de denúncias de assédio sexual durante a pandemia de coronavírus.

“Se eu não fizesse sexo com ele, ele me colocaria para fora”, disse uma mulher, cujo proprietário do imóvel a ameaçou de despejo, à NFHA, em um podcast no site da entidade.

“Sendo mãe solteira, não tive escolha. Não queria perder minha moradia”.

Vulnerabilidade na pandemia

NOVA YORK (EUA) - Foley Square é vista quase vazia em Nova York — Foto: Mike Segar/ReutersNOVA YORK (EUA) – Foley Square é vista quase vazia em Nova York — Foto: Mike Segar/Reuters

O sexo como forma de pagamento do aluguel vem sendo cada vez mais investigado nos EUA e no Reino Unido nos últimos anos em meio aos custos crescentes da habitação. Instituições de caridade ressaltam um aumento de anúncios na internet oferecendo acomodações sem aluguel em troca de favores sexuais.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, milhões de pessoas de todo o mundo perderam empregos ou rendimentos, já que isolamentos e restrições de viagem forçaram muitos negócios a fecharem as portas.

Autoridades da América do Norte e da Europa instituíram benefícios em dinheiro, congelamentos de aluguéis e moratórias de despejos na tentativa de proteger pessoas do desabrigo.

“Pessoas que são muito vulneráveis quando se deparam com um despejo, especialmente durante uma pandemia, às vezes elas enfrentam escolhas impossíveis”, disse Morgan Williams, conselheiro-geral da NFHA, que protege inquilinos da discriminação habitacional.

“Os predadores no contexto habitacional aproveitam esta vulnerabilidade”, disse ele à Thomson Reuters Foundation.

Dificuldades legais

Vista da vazia rua Tverskaya, no centro de Moscou — Foto: Dimitar Dilkoff/AFPVista da vazia rua Tverskaya, no centro de Moscou — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP

Os dados sobre a cobrança do sexo por proprietários de imóveis são escassos. Como a conscientização do problema é limitada, além de existirem ambiguidades legais que fazem com que vítimas enfrentem acusações de prostituição, os abusos muitas vezes não são relatados ou punidos, segundo especialistas em moradia.

Uma pesquisa de 2018 da instituição de caridade habitacional Shelter England revelou que cerca de 250 mil mulheres inglesas receberam propostas de favores sexuais em substituição aos aluguéis nos últimos cinco anos.

Wera Hobhouse, parlamentar britânica que faz campanha contra a “sextorção” — o abuso de poder para fins sexuais — disse que o sexo por aluguel provavelmente está aumentando porque as pessoas querem desesperadamente ficar em casa durante o isolamento.

“A dificuldade financeira vivida por várias pessoas no Reino Unido decorrentes da Covid-19 significam que mais gente será forçada a aceitar essas condições como alternativa para não ficar sem teto na pior hora possível”, disse.
Fonte: G1

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