Ex-policial que matou a tiros Rayshard Brooks recebe 11 acusações nos EUA, incluindo homicídio culposo

Se condenado especificamente por homicídio culposo, Garrett Rolfe poderá ser condenado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional. Brooks foi baleado pelas costas e morte ampliou protestos por racismo na polícia dos EUA.

O ex-policial que matou a tiros Rayshard Brooks recebeu 11 acusações nesta quarta-feira (17), incluindo homicídio culposo (quando há intenção de matar). Se considerado culpado por esse item específico, Garrett Rolfe poderá ser condenado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.

As acusações foram anunciadas pelo procurador distrital do condado de Fulton, Paul Howard.

Garrett Rolfe foi demitido depois de filmagens mostrarem ele atirando em Brooks, de 27 anos, várias vezes pelas costas, enquanto Brooks fugia.

O segundo policial que participou da ação, Devin Brosnan, foi colocado em serviço administrativo. O promotor Howard anunciou nesta quarta que Brosnan será uma testemunha do estado.

Rolfe e Brosnan receberam um prazo até as 18 horas desta quarta para se entregarem. Como Brosnan irá cooperar no caso, ele teve uma fiança estabelecida em US$ 50 mil.

No dia em que Brooks morreu, Brosnan foi o primeiro a chegar ao local. Ele tentou acordar o jovem, que dormia e atrapalhava a fila dos demais clientes, e pediu reforço pelo rádio por não conseguir tirá-lo dali sozinho. Foi então que Rolfe atendeu ao chamado e se dirigiu à lanchonete.

Morte

Na última sexta-feira (12), a polícia de Atlanta foi chamada a uma lanchonete da rede Wendy’s devido a uma queixa de que um homem havia adormecido em seu carro e estaria bloqueando a pista do drive-thru.

Os vídeos das câmeras ligadas ao uniforme dos policiais que atenderam ao chamado mostram Brooks cooperando com os agentes por mais de 40 minutos, antes de se iniciar um confronto entre eles.

O ex-policial Garrett Rolfe, acusado de matar a tiros Rayshard Brooks, em foto divulgada pela polícia de Atlanta — Foto: Atlanta Police Department via APO ex-policial Garrett Rolfe, acusado de matar a tiros Rayshard Brooks, em foto divulgada pela polícia de Atlanta — Foto: Atlanta Police Department via AP

Brooks manteve-se inicialmente calmo, confirmou que tinha bebido durante a festa de aniversário de sua filha e aceitou fazer um teste de bafômetro. Ele teria ainda pedido autorização aos agentes para deixar o carro no estacionamento e ir a pé até a casa da irmã, que vive nas proximidades.

Os agentes fizeram-lhe o teste para consumo de álcool, que resultou em 0,108% – acima do limite legal no estado da Geórgia. Os policiais tentaram algemá-lo, mas Brooks tentou fugir, e os três acabaram no chão, com os policiais ameaçando-o com um taser (arma que emite descarga elétrica) se ele resistisse.

Brooks acabou tomando o taser e começou a correr. Outro vídeo divulgado pela Agência de Investigação da Geórgia (GBI, na sigla em inglês) mostra o rapaz voltando-se para trás e apontando a arma de choque a um agente que o perseguia. O policial, que levava outro taser numa mão, pegou sua arma de fogo e disparou três vezes contra Brooks.

À emissora CNN, o procurador distrital do condado de Fulton, Paul Howard, que investiga o caso, afirmou que a primeira coisa que o policial disse após atirar é relevante para a investigação: “Ele não falou que salvou a própria vida. Ele disse: ‘Peguei ele’.”

L. Chris Stewart, advogado da família de Brooks, observou que a vítima foi atingida à distância, carregando uma arma que os policiais sabiam não ser letal, e não poderia ter simplesmente se livrado da polícia, já que os agentes estavam com sua carteira de motorista.

“Eles podiam facilmente ter esperado e o capturado mais tarde […] Foi simplesmente desnecessário [matá-lo]”, disse o advogado ao canal NBC na segunda-feira.

Outro advogado da família, Jason Miller, acrescentou que, segundo “várias testemunhas”, os policiais vestiram luvas e começaram a recolher as balas do chão antes de prestar os primeiros socorros à vítima. Brooks tinha três filhas, de 1, 2 e 8 anos, e um enteado de 13 anos, de acordo com o advogado.

Restaurante Wendy's, onde Rayshard Brooks foi morto por policial, é incendiado durante protesto no sábado (13), em Atlanta, Geórgia — Foto: Reuters/Elijah NouvelageRestaurante Wendy’s, onde Rayshard Brooks foi morto por policial, é incendiado durante protesto no sábado (13), em Atlanta, Geórgia — Foto: Reuters/Elijah Nouvelage

Autópsia

Segundo os legistas, Brooks foi atingido nas costas por dois tiros, que lhe provocaram danos em órgãos internos e perda de sangue.

A morte de Brooks levou a novos protestos contra a brutalidade policial contra negros ao longo do fim de semana nos EUA, na sequência da onda de manifestações desencadeada pela morte de George Floyd também durante ação policial em Minneapolis, em maio. O restaurante de fast food onde Brooks foi baleado chegou a ser incendiado por manifestantes no sábado.

 Fonte: G1

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