Justiça nega pedidos de Trump para suspender contagem em Michigan e Geórgia


Em Michigan, Joe Biden lidera por 3 pontos; já na Geórgia, Trump tem 0,3 ponto de vantagemImagem: Mandel Ngan/AFP

A campanha à reeleição do presidente Donald Trump sofreu duas derrotas judiciais hoje: uma em Michigan e outra na Geórgia. No primeiro estado, a juíza Cynthia Stephens negou um pedido feito pela equipe do republicano para tentar interromper a apuração que definirá o resultado das eleições americanas. A decisão será formalizada por escrito amanhã.

Mais de 98% dos votos já foram computados em Michigan, segundo cálculos da Associated Press. Até as 16h, o democrata Joe Biden aparecia com 50,6%, quase três pontos percentuais a mais do que Trump (47,8%), e já era apontado como vencedor dos 16 delegados do estado.

O caso da Geórgia é semelhante: o juiz James Bass rejeitou o processo aberto pela campanha de Trump para interromper a contagem de votos no estado, onde a disputa é ainda mais acirrada: o atual presidente está apenas 0,3 ponto percentual à frente de Biden.

Em seu recurso, Trump pediu o cumprimento das leis sobre o voto pelo correio, ao levantar suspeitas sobre 53 cédulas que não fariam parte de um lote original. A ação, no entanto, foi indeferida por Bass, do Tribunal Superior do Condado de Chatham, que ainda não deu mais explicações sobre sua decisão.

A campanha de Trump lançou um ataque judicial em vários estados-chave para as eleições, em meio a uma disputa acirrada com o rival democrata. Com 253 delegados, Biden precisa conquistar mais 17 votos no colégio eleitoral para atingir o mínimo de 270 e vencer; Trump ainda tem 214.

Além de Michigan e Geórgia, a equipe de campanha de Trump também promete contestar a contagem dos votos em Nevada. Sem apresentar provas, a equipe alega que houve irregularidades na apuração do condado de Clark, o mais populoso do estado, que inclui a cidade de Las Vegas.

Como está a contagem?

Os Estados Unidos não têm um órgão oficial que divulga, em tempo real, os resultados das urnas, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no Brasil. Por isso, as agências de notícias e veículos de comunicação como AFP, AP e Fox fazem extrapolações estatísticas e apontam os vencedores por estado. A AFP chegou a considerar definida a apuração do Arizona — e Joe Biden somava mais 11 votos até a manhã desta quinta-feira (5). A contagem de votos continua no estado.

Todos os veículos indicam que cinco estados ainda estão em aberto:

  • Pensilvânia (20 delegados)
  • Geórgia (16)
  • Carolina do Norte (15)
  • Nevada (6)
  • Alasca (3)

Há dúvida sobre o Arizona, com 11 delegados. Algumas fontes, como AP e Fox News, consideram garantida a vitória do democrata Joe Biden no estado. Outros, porém, como o The New York Times e a AFP, apontam que Trump ainda pode virar.

Até as 16h de hoje, segundo a Associated Press, Biden liderava com 253 votos, sem os delegados do Arizona. Já o presidente Donald Trump somava 214 delegados.

Confirmando a vitória no Arizona e Nevada, onde lidera por 0,9 ponto, Biden seria eleito independentemente do resultado nos demais estados.

Na Geórgia, com 16 delegados, Trump lidera por 0,3 ponto percentual. Ele também está vencendo na Carolina do Norte e na Pensilvânia, embora a diferença de 1,8 ponto percentual para Biden neste último já tenha sido de 14 pontos. O republicano é favorito para vencer no Alasca.

Para ser reeleito, o republicano precisa confirmar a vitória nesses quatros estados onde lidera, além de virar em Nevada.

Entenda o sistema

No sistema eleitoral americano, os 538 votos do Colégio Eleitoral — ou 538 “delegados” — determinam quem será o presidente. Esses 538 votos são distribuídos entre os estados, de forma proporcional à população de cada um deles. Ganha quem conquistar pelo menos 270 delegados, a maioria simples.

O candidato que ganhar a eleição popular dentro do estado leva todos os votos dele no Colégio Eleitoral — com exceção do Maine e Nebrasca, que dividem seus votos de acordo com os distritos regionais.

*Com informações da ANSA e Reuters

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