Há 79 anos, Lucena-PB se despedia de Américo Falcão. Conheça a história de um dos maiores poetas do mundo

Nascido à sombra dos coqueiras da Praia de Lucena, em 1880, Américo Falcão é considerado o poeta do mar, o cantor das praias, reconhecido mundialmente. Morreu no dia 9 de abril de 1942, aos 62 anos

Há exatos 79 anos, o município de Lucena perdia um dos maiores nomes de sua história: O poeta Américo Augusto de Souza Falcão (Américo Falcão). Reconhecido mundialmente por ser um homem que ajudou a expandir a literatura brasileira para demais países do planeta, o patrono da Academia Paraibana de Letras morreu aos 62 anos no dia 9 de abril de 1942. Nasceu em 11 de fevereiro de 1880, à sombra dos coqueirais da belíssima praia de Lucena.

Até hoje, Américo Falcão é lembrado internacionalmente pelas suas obras, dentre elas, “Náufragos”, um soneto premiado por várias vezes. Advogado e jornalista, o poeta sempre foi um orgulho para Lucena e referência na Paraíba e no Brasil. Seus primeiros passos na Educação foram na cidade onde nasceu, quando fez o curso primário e os preparatórios no Lyceu Paraibano, bacharelando-se em Direito pela Faculdade do Recife, em 1908.

Exerceu a advocacia por algum tempo e, a seguir, ingressou no serviço público e no jornalismo; dirigiu a Biblioteca Pública e o Arquivo do Estado; colaborou nos jornais da época, ao lado de Arthur Achiles, Carlos Dias Fernandes, Mathias Freire, Coriolano de Medeiros Álvaro de Carvalho e vários outros nomes de igual relevo. Colaborava, também, no jornal Nonevar “’Órgão do Amor, da Graça e da Beleza”, primeiro jornal de festa editado na capital e que circulava durante a Festa de Nossa Senhora das Neves, padroeira da cidade.

Américo Falcão era o responsável pela coluna Croquis, onde eram perfilados, jocosamente, jovens da sociedade pessoense. Opinião do acadêmico Humberto Nóbrega sobre Américo Falcão: “Era um artista nato. Sua arte não emergia das lágrimas de outros poetas, mas promanava daquela romântica Lucena, cheia de sussurros e gemidos do velho mar, agitada pelo “leque de coqueiros” eternamente beijada pelos lampejos do luar”. Américo Falcão compunha quadrinhas, sendo a mais conhecida:

“Não há tristeza no mundo

Que se compare à tristeza

Dos olhos de um moribundo

Fitando uma vela acesa”

Américo Falcão era filho de Mariano de Souza Falcão e Deolinda Zeferina de Carvalho Falcão. Morreu em João Pessoa. Casado, em primeiras núpcias, com Maria Eugênia de Alencar, tendo nascido dessa união uma filha que recebeu o nome de Marluce (nome inspirado no mar de Lucena: mar-luce). Ficando viúvo, em 1912, casou-se com Elvira Natália Fernandes, tendo nascido mais quatro filhos: João Leomax, Marlinda Augusta, Durvalina Lucemar e Maurisa.

Américo Falcão, o representante do Romantismo na Paraíba, é considerado o poeta do mar, o cantor das praias. Herdou o lirismo extravagante da escola de Castro Alves. Seus versos estão cheios de luar, de amor, de silêncio, de co­res, de estrelas, de alma, de Deus. Talvez encontrou no ensinamento de Goethe a suprema ventura “se tua dor te aflige, faze dela um poema” .

Passava dias e noites, manhãs e madrugadas a contemplar a formosura da Praia de Lucena, por que a insônia foi sua companhei­ra inseparável. Na sensibilidade particular, que registra todas as variações imaginativas e simbólicas de que nutre a verdadeira poesia, reflexo da sua visão íntima de realidade, encontrou expressão imensa na vasta produção poética.

Sua obra é um misto de alegria e tristeza, que espelha o poeta que ele foi, falando de si e dos seus. O escrever nele era um instinto e não um ato consciente de inteligência, um instinto que revelava a verdadeira vocação da vida, desejoso de esclarecer sofrida significação oculta.

As Obras

O primeiro livro publicado de Américo Falcão foi “Auras Paraibanas”, prefaciado por Álvaro Martins e Fernando Heyne. Regressando à gleba, ingressou, mais tarde, na Faculdade de Direito do Recife, onde se bacharelou. De volta a Paraíba, exerceu indiscutível influência nos nossos meios intelectuais. Ainda, publicou: ‘Rosas de Alençon e Soluços de Rea­lejos. Colaborou em vários jornais e revistas que se editavam nessa capital, inclusive na Era Nova. Foi Diretor da Biblioteca Pública do Estado, onde conseguiu com o brilho de sua inteligência uma fase áurea à nossa casa de consulta. Escreveu ainda Náufrago, 1914 e Visões de outrora, 1924.

Náufragos

Eu, timoneiro audaz, parti, cantando,

Na galera de sonhos, pela vida.

O lindo e imenso mar atravessando…

Vento largo… bonança indefinida…

 

Do mar a superfície adormecida

Que o sol beijava rútilo, raiando,

Era uma veiga azul toda florida

De espuma leve em flóculos boiando.

 

Fazendo rumo ao porto da ventura,

Mostrou-se o céu de plúmbea face adunca

E a galera perdeu-se em noite escura…

 

Ai que momentos lúgubres, medonhos!

Nautas da crença, eu não me esqueço nunca,

Do naufrágio sinistro dos meus sonhos.

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Fonte: Texto produzido pelo jornalista Marcos Lima, com informações de ozildoroseliafazendohistoriahotmail.blogspot.com/ antoniomiranda.com.br/ www.escritas.org

Fotos, Imagens e caricaturas – Reprodução Internet

 

 

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