sáb. dez 4th, 2021

MANOEL RIBEIRO – Um “menino sem infância” que se tornou o pai da “Literatura de Cordel” em Lucena

Lucena é muito querida
Tem um clima tropical
Sol gostoso e muito vento
É um lugar muito legal
Terra de muita cultura
E o melhor carnaval!

A primeira estrofe (acima) do verso “A historia de Lucena em Cordel”,  publicação de Manoel Ribeiro de Oliveira, residente no Conjunto Manoel Marinho, em Costinha, município de Lucena, demonstra o dom de uma pessoa que nasceu para a poesia, mesmo não tendo a oportunidade de estudar na infância, adolescência e até mesmo na fase adulta. O trabalho sempre esteve em primeiro lugar na sua vida, pois, objetivo principal era a criação dos seus oito filhos. Hoje, quatro são professoras formadas.

Foi somente aos 63 anos de idade que este santa-ritense, hoje com 71 anos e que chegou a Lucena aos 15 anos, teve a oportunidade de concluir o ensino médio e dedicar-se exclusivamente à literatura de cordel. São 111 publicações relatando o dia-a-dia do brasileiro, seja no trabalho, em sua casa, na política, na história, no sertão e/ou outros dos mais variados temas.

 

“Eu fui um menino sem infância e, quando criança, sempre ia à feira e me impressionava com aqueles livros de cordéis que eram vendidos. Sempre parava e folheava alguns. Aquilo levei para o futuro e, certo dia, minha professora do EJA, na Escola Izaura Falcão brincou com todos durante aula sobre o meio ambiente, chegando a dizer que tudo aquilo ensinado naquele momento, poderia, então, virar uma publicação”, lembra Manoel Ribeiro.

As palavras da professora serviram de inspiração para Manoel Ribeiro que, aos 63 anos escreveu seu primeiro livro de cordel: O Mangue pede Socorro!. A partir daí, Manoel Ribeiro não parou mais de escrever seus cordéis. Veio a segunda publicação, “Menino Sem Infância”; a terceira, “História da Copesbra”; a quarta, “Lenda: Cumade Fulozinha”; a quinta “Batatão e o Pescador” até chegar na sua publicação de número 111, “Biografia de Américo Falcão”, o poeta do amor, natural de Lucena.

Manoel Ribeiro, que já está sendo chamado o “pai da literatura de cordel” no município de Lucena é aposentado pela Brasilgás, no entanto, dedicou 22 anos de sua vida à Copesbra, onde foi um dos mais eficientes funcionários. A Copesbra tinha uma de suas filiais em Costinha e ficou conhecida mundialmente pela “pesca da baleia”.

“Às vezes trabalhava 24 horas por dia, sete dias na semana, no entanto, não tinha tempo para estudar. Somente depois que me aposentei, é que após o incentivo de algumas filhas, voltei a estudar, quando conclui o ensino médio e coloquei em prática um sonho, que era o de escrever cordeis”, afirmou seu Manoel Ribeiro, que não pretende desistir de suas publicações.

“Os meus cordeis todos são verdadeiros. São fatos reais, que acontecem ou já aconteceram. Os versos saem de forma livre e dependendo do assunto, levo um dia para fazer um cordel, mas, nem tudo é tão simples assim, tem toda uma história para que o cordel venha a ser publicado”, diz ele.

PROFESSOR SEM ESTUDO

Lenda viva da cultura na cidade de Lucena, Manoel Ribeiro possui muitas características do pai, o senhor José Ribeiro de Oliveira. “Papai foi um professor sem estudo. Muito inteligente e aprendi muito com ele”, disse o cordealista, lembrando também da mãe, Dona Maria. “Meus pais foram tudo na minha vida. O ápice da minha história”, lembra ele, afirmando que seu pai era sempre o responsável de levá-lo à feira, em Santa Rita, quando ele ficava “secando” os livretos de cordeis.

“Sempre imaginava um dia ser um escritor de cordel, mas, para realizar esse sonho era preciso estudar, coisa que, só veio acontecer quando eu já estava na terceira idade, com 63 anos, mas, para Deus nada é impossível e conseguir escrever e publicar os meus cordeis. Me sinto pessoa realizada, pena que não valorizam esse meu trabalho”, alega.

Algumas das publicações de cordeis de Manoel Ribeiro foram compradas pelos amigos, principalmente aqueles que trabalharam no passado com ele. Outros, no entanto, foram adquirido por pessoas pelo fato de serem lembrados nas publicações.

“Escrever cordel requer muita paciência e muito pensamento, além de se conhecer o conteúdo que se quer atingir”, diz Manoel Ribeiro.

O escritor, apesar de todo esse trabalho cultural, sempre viveu no anonimato.  Suas publicações nunca tiveram o valor merecido. As autoridades locais nunca deram a ele a importância e o apoio para que conhecesse novos horizontes.

Por Marcos Lima

A LENDA VIVA DA CULTURA DE LUCENA

 

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